sexta-feira, junho 03, 2005

Estratégias de grupo ou individuais?

As estratégias de grupo possibilitam redefinir o parentesco, bem como permitem que sejam transmitidas aos membros de determinada cultura uma grande quantidade de instrucções de comportamento que, em princípio, se encontram adequadas ao ambiente em que esse grupo vive. Mesmo que tenham o aspecto de instrucções religiosas ou rituais, as instrucções têm, frequentemente, um claro valor de sobrevivência.
Na maior parte dos casos, as imposições sociais são mais ou menos bem aceites: os processos de enculturação que ocorrem durante o desenvolvimento garantem que o indivíduo humano é aculturado com relativa facilidade de forma a apropriar-se das instrucções que a cultura lhe propõe. Tem particular relevância neste processo a nossa tendência para o conformismo social. Ou seja, parece haver uma predisposição biológica para nos comportarmos como os outros e, no processo, para justificar, a posteriori, os nossos actos com as explicações que a cultura fornece.
Esta tendência para a reprogramação cultural é um universal da nossa espécie e faz, sem dúvida, parte do nosso programa genético. Assim, os mecanismos genéticos terão seleccionado os indivíduos que eram reprogramáveis pela cultura, que lhes fornece classes de significado, explicações para os comportamentos e, mais ainda, instrucções de comportamento.
No entanto, e embora tenhamos vantagens em ser reprogramados culturalmente no sentido da cooperação, temos, ao mesmo tempo, vantagens para perseguir estratégias individuais, se conseguirmos não ser punidos pelas normas sociais. São instrucções que nos fazem seguir os comportamentos dos outros mamíferos e que fazem sentir a sua força em termos já não éticos mas motivacionais e de desejo.
Deste modo, o Homem ir-se-á deparar com a constante dualidade entre aceitar as pressões selectivas para ser cooperativo e ser egoísta. Temos essa opção, e de facto, o modo como gerimos o conflito, condiciona de forma brutal a nossa vida. Atitudes geram atitudes.