segunda-feira, novembro 20, 2006

Pronuncie o senhor mesmo as palavras que, há anos, não cessam de retinir nas minhas noites, e que eu direi enfim pela sua boca: «Ó pequena, deita-te de novo à água para que eu tenha pela segunda vez a sorte de nos salvar a ambos!» Pela segunda vez, hein?, que imprudência! Suponha, caro colega, que nos tomam à letra. Teríamos de cumprir. Brr...! A água está tão fria! Mas tranquilizemo-nos! É tarde de mais, agora, será sempre tarde de mais. Felizmente!

in A Queda
Albert Camus


A forma mais sublime de terminar o livro.
Cada um que tire as suas próprias ilações...