terça-feira, junho 28, 2005

Imóvel

Parou só para ver como era, por que era. Se era real, se era produto de uma fantasia qualquer, de uma imagem imposta, idealizada, errónea e adulterada pela força da vontade. Parou e colocou em perspectiva todos os caminhos possíveis, todas as questões que surgiam, incessáveis, ásperas e implacáveis. Não obteve resposta. Continuou em busca de um sinal, de um indício, que pudesse trazer à luz algo palpável, a confirmação há tanto almejada, a recusa de pensamentos que tencionava suprimir da sua mente. Mas o vazio cresceu, manteve-se, prolongou-se e tomou posse. As questões ininterruptas permaneceram, ficando apenas uma mescla de nojo, vergonha, como um ser diminuído, disforme, sem interesse. Esperando, imóvel, uma palavra, umas meras palavras, que pudessem serenar a mente inquieta e o corpo cansado.