terça-feira, novembro 28, 2006

Talvez as palavras, corrompidas pelo vazio, ganhem alguma leveza numa nova lacuna do tempo.
Até lá, talvez não entenda plenamente o antagonismo peso-leveza, apenas tendo como certo que todos os momentos são feitos de acasos.


... para quem queira desvendar o antagonismo e compreenda então a insustentável leveza do ser.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Pronuncie o senhor mesmo as palavras que, há anos, não cessam de retinir nas minhas noites, e que eu direi enfim pela sua boca: «Ó pequena, deita-te de novo à água para que eu tenha pela segunda vez a sorte de nos salvar a ambos!» Pela segunda vez, hein?, que imprudência! Suponha, caro colega, que nos tomam à letra. Teríamos de cumprir. Brr...! A água está tão fria! Mas tranquilizemo-nos! É tarde de mais, agora, será sempre tarde de mais. Felizmente!

in A Queda
Albert Camus


A forma mais sublime de terminar o livro.
Cada um que tire as suas próprias ilações...

Hoje em dia o olho de Deus fora substituído pela máquina fotográfica. O olho de um só fora substituído pelos olhos de todos. A vida transformara-se numa única e vasta orgia colectiva em que toda a gente participava. Toda a gente pode ver numa praia tropical a princesa de Inglaterra a festejar nua o seu aniversário. Aparentemente, a máquica fotográfica só se interessa pelas pessoas célebres, mas basta que um avião se despenhe junto a nós, que nos irrompam chamas da camisa, para que nos tornemos célebres e sejamos incluídos na orgia geral que nada tem a ver com o prazer, mas anuncia solenemente que já ninguém pode esconder-se em parte nenhuma e que cada um está à mercê de todos os outros.

in A Imortalidade
Milan Kundera