Podes vir a qualquer hora
Cá estarei para te ouvir
O que tenho para fazer
Posso fazer a seguir
Podes vir quando quiseres
Já fui onde tinha de ir
Resolvi os compromissos
agora só te quero ouvir
Podes-me interromper
e contar a tua história
Do dia que aconteceu
A tua pequena glória
O teu pequeno troféu
Todo o tempo do mundo
para ti tenho todo o tempo do mundo
Todo o tempo do mundo
Houve um tempo em que julguei
Que o valor do que fazia
Era tal que se eu parasse
o mundo à volta ruía
E tu vinhas e falavas
falavas e eu não ouvia
E depois já nem falavas
E eu já mal te conhecia
Agora em tudo o que faço
O tempo é tão relativo
Podes vir por um abraço
Podes vir sem ter motivo
Tens em mim o teu espaço
Todo o tempo do mundo
para ti tenho todo o tempo do mundo
Todo o tempo do mundo
Para ouvir, para entender o que se passa aí dentro, apesar de, por vezes, deixar transparecer sentimentos e quereres ser tarefa delicada. Tentar apontar possíveis direcções, aquelas que provavelmente tomaria, ou que desejaria tomar mas que ficam a meio do caminho. Suas vantagens e desvantagens.
Partilhar lágrimas, dar a mão, abraçar e ficar assim, só assim.
Estou aqui, sempre estive, nunca noutro sítio qualquer. Partilho o que de melhor tenho, nem poderia ser de outro modo. Cancelo tudo e perco-me nas horas.
Vou ao encontro de um rol de desabafos, regados com lágrimas ou com olhares perdidos no vazio. Manter a mente limpa e não perder a clareza do discurso.
Falo quando me deparo com o silêncio, carregado de expectativas, perante a vontade inequívoca em ouvir palavras que alimentem o desejo, a esperança.
Mas revela-se aquilo que se pensa, escolhendo cuidadosamente as palavras.
Este é o meu modo de mostrar o meu afecto, a minha compreensão, carinho e atenção. Gosto, e ainda bem que gosto, tenho uma vida muito mais cheia por gostar.
Mas todos temos o nosso umbigo, uns têm-no maior que outros. Mas é extremamente gratificante quando olhamos um pouco para o que se passa à nossa volta, quando nos descentramos e quando temos o prazer em ajudar alguém a sorrir.
Continuo assim, sim. Há certas coisas que não mudam, e as fundamentais ficaram gravadas. Quem me conhece bem sabe do que falo.
E tenho todo o tempo do mundo... para os vários "tis" que fazem parte da minha vida.